RESENHA DO FESTIVAL - CHAOS UNDERWATER
- 26 de fev. de 2017
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No dia18 de Fevereiro, a Frankenhaus Tavern, uma das casas noturnas mais acolhedoras da cena underground Porto Alegrense abriu suas portas para o festival Chaos Underwater, Primeiro evento promovido pelo Viva La Cena em parceria com QUELuthieria e Estudio Suleiman. Foram sete bandas ao todo, com shows das 19h até 00h. A expectativa era passar duas vezes pela meia noite, dadas ao termino do horário de verão. A plateia se movimentava inquieta, a Coronel Genuíno povoada por várias tribos entrando e saindo do bar a cada show, a cada troca de palco, a cada intervalo.
O show de abertura ficou nas mãos da Killepsia, que começou muito bem o festival. Com uma mistura inusitada de MPB, Metal e Prog, a banda surpreendeu e cativou o público com longas epopeias musicais, equilibrando com maestria elementos que vão desde riffs marcantes e distorcidos até melodias serenas, passando por solos virtuosos e o indispensável breakdown. O entusiasmo tomou conta da plateia ao fim de cada música, com direito a um bis no fim do show e até mesmo um cover de Tool. Depois foi a vez da Xá di BB, que fez sua estreia nos palcos. A banda tem um autêntico espírito thrash (trash?) e barulhento, as guitarras variando entre o timbre distorcido e o mais distorcido, o vocal sempre aos berros, a melodia por vezes respirando com riffs sabáticos pra logo depois voltar pra destruição frenética grindcore, com claras referências a Deep Wound e Ratos de Porão. Entre cada música, o baterista e vocalista Buster Hammton exercitava seu carisma com a plateia; “foda-se qualquer coisa, nós somos o Xá di BB!”. Eles se mantiveram fieis a essa proposta do começo ao fim. Em seguida veio a Bonehill, um tributo ao Stoner e Grunge dos anos 90. Tomando a liberdade de fazer versões das músicas, a banda fez presente sua identidade mesmo tocando covers, principalmente do Kyuss, principal expoente do Stoner/Desert Rock que mais tarde se transformaria no Queens of the Stone Age.. Se destaca a vocalista Bruna Gewehr, com um timbre poderoso, agressivo e visceral e uma presença de palco que facilmente dominou o lugar, tornando suas linhas vocais que foram originalmente cantadas por homens. Enquanto isso, os solos, linhas de baixo e batidas das baquetas na bateria confluíam em uníssono. Sapo Boi, talvez a banda com mais tempo de vida entre todas as presentes, entrou no palco logo após. Sem cerimônia, sem demora, começaram a tocar. O som é algo entre o blues, o velho rock’n’roll e o punk de raíz. Nada de jaquetas de couro, topetes e spikes, mas o espírito estava ali, sem pose, sem enfeites, cru e verdadeiro. Terminaram o show com o clássico do MC5, Kick Out The Jams, pra completar a alegria do público e, é claro, a própria. A roda punk comeu solta, um prenúncio do que estava por vir. Nephilim trouxe o seu peso ao Frankenhaus, duas toneladas de death metal de raíz. Os headbangers na plateia ora colidiam como cometas, ora batiam cabeça enquanto tentavam recuperar o fôlego roubado pela pouca ventilação do ambiente, e a banda destruía no som, uma música após a outra, uma porrada atrás da outra. Rolou bis, tamanha a sede da plateia pelo peso. A próxima banda foi a Lobos e Chacais, misturando a cara de pau típica do rock gaúcho com o hard rock e o grunge, com claras influências de Cascavelletes e Guns ‘n Roses, além de um espírito dos anos 90 que se faz presente nas composições, feitas com simplicidade, não por preguiça, mas por ser exatamente o necessário. Foi um bom show, e a performance da banda não deixou a desejar. Quando a Lobos desceu do palco, a cerveja do bar já tinha acabado!
Mother Ghost Eater sobe ao palco. O som da banda foi talvez um dos mais peculiares da noite, uma identidade única misturando referências do blues, do prog e do metal. Fizeram um show curto devido ao horário, mas a banda tocou com alma e presença independente disso. O tempo limitado do show ajudou a deixar um gosto de quero mais e todos os presentes saíram ansiando pelo próximo festival. A última banda, Wuwei, não pôde tocar. A cerveja tinha acabado. Desta vez, infelizmente, ficaram de fora, mas outras oportunidades virão. Foi um festival com altos e baixos, mas com um significado importante: a cena independente continua firme e forte, a união de todos os envolvidos manteve, mais uma vez, acesa a chama que aquece os motores do movimento underground. Quem esteve lá sentiu o espírito do rock de garagem, da música pela música. Esperamos ansiosamente pela próxima vez que esse espírito vai baixar nas baquetas e cordas - sejam vocais, do baixo ou da guitarra - da cultura debaixo-da-terra. O underground vive. FIquem com o registro da apresentação da Nephilim no Chaos Underwater







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